DISTORÇÕES, ÁCIDO E FLORES  
 



BRASIL, Centro-Oeste, CUIABA, BAU, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Música
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200 POSTERES PSICODÉLICOS

200 PSYCHEDELIC POSTERS

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ACESSE O LINK A SEGUIR E BAIXE 200 POSTERES PSICODÉLICOS DOS ANOS 1960 EM JPG E GIF: http://rapidshare.de/files/27153404/psychedelic_posters.rar.html

 

Nota: a próxima atualização será apenas com álbuns de bandas incluídas na coletânea Nuggets. The next update will be only with bands included on the Nuggets collection.



Escrito por William às 13h11
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COLD SUN

(BIOGRAFIA + DOWNLOAD)

 

 

Em 1966, Bill Miller e seus amigos eram consideravelmente jovens para fazer parte do círculo de amizades dos 13th Floor Elevators, banda que eles consideravam a  melhor da sua cidade, Austin, no Texas. Mesmo assim, acompanhavam com grande interesse tudo o que acontecia, não só com os Elevators, mas também com outras boas bandas locais, como The Baby Cakes e The Wig. Miller era um adolescente incomum, com interesses incomuns, que incluíam lagartos gigantes como animais de estimação e o lado mais esotérico da cultura pop americana, interesses que permanecem até os dias atuais. Muitos pensavam que ele era mais velho do que aparentava e sua rede de atividades no que era então uma pequena cidade com um tangível cenário musical, deu a ele uma boa percepção dos acontecimentos. Havia duas estações locais de rádio, KNOW e KAZZ-FM , sendo que esta última foi a responsável por ter tornado “You’re Gonna Miss Me” (dos 13th Floor Elevators) um grande sucesso. Bill Josey e Bill Josey Jr. (pai e filho) eram donos da KAZZ-FM e também operavam a Sonobeat, única gravadora de Austin naquele tempo. No jornal Austin Statesman havia o jornalista Jim Langdon, que escreveu excitadamente sobre o novo “rock psicodélico” dos Elevators. O amplo campus da Universidade do Texas e seu relacionado gueto supliram a cidade com sua atmosfera boêmia por vários anos. Mas Austin ainda era um cenário pequeno e ninguém a comparava com as ricas cenas de Houston e San Antonio, repletas de lendas da música.

 

Muito jovens para terem participado da explosão da música adolescente na metade dos anos 1960, Bill Miller e seu amigo, o guitarrista Tom McGarrigle, formaram a sua primeira banda em 1968. A banda se chamava Cauldron e, além de Miller e McGarrigle, apresentava John Kearney, que tocava bateria com Roky Erickson em sua banda pré-Elevators, The Spades. Em pouco tempo, a banda mudou de nome para AMETHYST, e tocou no I.L. Club, que foi o primeiro clube psicodélico alternativo de Austin. O pequeno clube, batizado de I.L. por Ira Littlefield, localizava-se na parte barra-pesada da área Leste de Austin (habitada por maioria negra) e tinha um cartaz na entrada onde se lia: “Famous Beatnik Bands Nightly” (“Famosas Bandas Beatnik Todas As Noites”). A banda Conqueroo, por exemplo, tocou várias vezes lá. Há algumas gravações da Amethyst no I.L. Club nesse período; Esse material permanece inédito, mas, ao que tudo indica, essas gravações incluem material original, como “See What You Cause”. Nesse período, houve várias mudanças de formação, inclusive de vários vocalistas, que não emplacaram. O baterista John Kearney comentou que as longas e complexas canções de Miller exigiam exaustivos ensaios, uma das razões dele próprio ter deixado a banda mais tarde.

 

Antes mesmo disso, Bill Miller já havia encontrado o instrumento que ele empunharia por toda a sua carreira: a harpa elétrica. Harpas elétricas não eram usuais, mas não chegavam a ser incomuns no rock daquela época. Algumas bandas de folk-rock como Lovin’ Spoonful e Charlatans se utilizavam do instrumento, ou, pelo menos, posavam com harpas elétricas em fotografias. Mas em um trabalho de aperfeiçoamento semelhante ao que Tommy Hall fez com o seu “jarro elétrico” nos 13th Floor Elevators, Miller decidiu levar a harpa elétrica até lugares onde o instrumento jamais esteve. O instrumento foi adaptado e reconstruído com uma unidade plenamente eletrificada e a música da Amethyst foi arranjada para acomodar e fazer uso pleno dos sons inexplorados da harpa elétrica. Muitas pessoas devem ter ouvido a harpa elétrica de Miller nas famosas gravações da banda Roky Erickson & The Aliens, no final dos anos 1970, mas, dez anos antes disso, Miller fazia seu instrumento ressoar em clubes locais do Texas.



Escrito por William às 23h18
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Enquanto a Amethyst construía um repertório e renovava seus membros, a cena musical de Austin mudava rapidamente. Apesar de ter lançado seu álbum Easter Everywhere (uma das maiores obras-primas do rock psicodélico) em novembro de 1967 e de ter tocado no Vulcan Gas no mesmo mês, os ídolos locais dos 13th Floor Elevators estavam entrando em decadência desde quando retornaram da California, no final de 1966. As formações posteriores da banda eram o que havia de melhor em termos de musicalidade, mas muitos dos fãs então reclamavam da perda de energia e emplogação que existiam nos bons tempos do comecinho de 1966. Muitas outras bandas adolescentes que se apresentavam nos clubes locais na era pré-hippie foram desaparecendo e quase nenhuma fez a transição para o som progressivo da fase pós-Sgt. Pepper’s, no final dos anos 1960. A banda Golden Dawn, apadrinhada dos Elevators e uma das melhores bandas psicodélicas locais encerrou atividades pouco tempo depois do lançamento do seu único e brilhante LP, pela International Artists. Bill Miller se lembra que o líder e vocalista do Golden Dawn, George Kinney, chegou a assistir a alguns poucos ensaios da Amethyst. Membros dos Baby Cakes e do Wig se uniram e formaram a banda Lavender Hill Express, de orientação mais pesada. Em todos os lugares, as drogas pesadas estavam se propagando, e o rock estava se multiplicando em várias ramificações. Desde o princípio, a Vulcan Gas Co. contratou bandas locais que representavam essa mudança de direção, como Conqueroo (acid rock) e Shiva’s Headband (country-rock). Havia um constante intercâmbio entre Texas e San Francisco. Muitas bandas texanas tentavam a sorte na Califórnia.

 

 

A banda Amethyst, de Bill Miller, não ficou terrivelmente impressionada com esta nova direção e cenário, que conduziriam aos grandes dias do Armadillo World Headquarters, na década de 1970. A Amethyst era uma banda jovem, mas os seus membros marcaram presença nos dias de genuína excitação. Ao invés de ostentar guitarras de ferro ou de ter um guitarrista que poderia imitar o estilo de Johnny Winter, a banda prosseguiu com sua visão específica, sempre representada por seus dois constantes membros, Miller e o guitarrista McGarrigle. Os dois estavam cheios de idéias e ambições e, na ocasião, administravam o seu próprio clube de rock, o Jubilee Hall, em Houston, (mantido pelo notório pastor Freddie Gage). Depois de desistir de encontrar um vocalista principal, Miller e McGarrigle acabaram dividindo os vocais entre si, e não demorou muito para que Miller assumisse a maioria dos vocais principais. Além da óbvia herança dos Elevators, que é facilmente percebida nas gravações subseqüentes da banda, Miller manteve-se antenado com as transformações da música em outras partes da América e adicionou Doors e Velvet Underground à sua lista de influências. O Velvet Underground tocaria em Austin em 1969, depois da Vulcan Gas tê-los relutantemente contratado; As apresentações foram um sucesso e representaram outra indicação de que alguma coisa a mais estava fermentando localmente, à parte do resto do país e das mutações do blues. Miller estava lá, naturalmente, e teve uma conversa nos bastidores com Lou Reed a respeito dos 13th Floor Elevators.

 

 

No final dos anos 1960, a cidade de Austin passava por estranhas mudanças, e a banda Amethyst estava conectado a muitas delas. Personagens incomuns povoaram a cidade nesse período, tal como o amigo da banda e futuro exorcista e guarda-costas de Roky Erickson, Winston “Wink” Taylor, membro de uma igreja dissidente cristã de orientação esotérica liderada por seu pai, Robert Williams. Mais tarde, essa congregação contaria com Evelyn (mãe de Roky) entre os seus membros e os fiéis congregavam em uma igreja que, anteriormente, servia de espaço de ensaios dos 13th Floor Elevators. Taylor e seus amigos costumavam ficar no Serpentário, uma fazenda infestada de cobras que localizava-se nos arredores da cidade. Esse círculo de amigos incluía Mike Waugh (futuro baixista do Cold Sun), e o enigmático Johnny Love, um cantor de estilo hollywoodiano e vendedor de entorpecentes, que muitos pensavam ser um agente do Governo. Nessa ocasião, os habitantes da “Fazenda das Cobras” tinham uma banda chamada Alpha Centauri. No lado inimigo, havia o notório capitão Harvey Gann, chefe da Divisão de Narcóticos de Austin, conhecido por sempre estar vestido com o seu terno brilhante vermelho, todas as vezes que conduzia a sua viatura em batidas policiais. Gann e seus comandados sempre vigiavam os Elevators e outras bandas de rock de Austin bem de perto.



Escrito por William às 23h17
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Bill Miller ainda encontrava espaço para cuidar de seus interesses especiais e, de fato, chegou até a ser notícia nos jornais locais quando o seu enorme lagarto de estimação fugiu de sua casa e foi colocado em um canil, de onde ele prontamente também fugiu. Outros projetos de Miller incluíam construir uma indumentária completa do Dr. Destino (o vilão das histórias em quadrinhos da Marvel Comics cantado pelos Elevators), embora ele não tenha passado de um par de luvas de metal. Um quesito que teria impacto direto na música do Cold Sun seria a Mitologia Egípcia, como podemos perceber na letra de “Ra-Ma”, um épico de 11 minutos que também evoca elementos lemurianos. E, é claro , as drogas psicodélicas estavam em todos os lugares, e podiam ser facilmente encontradas em Austin antes mesmo dos Elevators começarem a distribuir micopontos de LSD em apresentações locais. Miller se lembra que “um monte de gente usava peiote. A cena peiote-beatnik dos anos 1960 já existia em Austin antes mesmo da propagação do LSD. O peiote não era ilegal, e podia ser comprado em lojas de cactos e armazéns de plantas. A situação era, de fato, mais calma antes do ácido entrar em cena”.

 

 

Um dos segredos oficiais da cidade chamava-se Dr. Hermon, um imigrante austríaco a quem o meio médico careta chamava de “Crazy Harry”. Hermon tinha uma licença federal para receitar e administrar LSD, maconha, mescalina e peiote. O psiquiatra austríaco empregava em suas técnicas de atuação conceitos como hipnotismo, teoria do nudismo e terapia evolucionária psicodélica. Sua aparência excêntrica e seu comportamento não conformista colocaram Hermon em contato direto com o cenário musical alternativo de Austin, ao qual ele abasteceu de drogas psicodélicas durante vários anos. O capitão Gann e toda a Divisão Anti-Narcóticos estavam cientes disso, mas a licença médica do Dr. Hermon tornava a sua prisão uma tarefa difícil. A afinidade de Hermon com os roqueiros de Austin era tanta que ele foi indicado como médico de Roky Erickson quando Roky esteve internado no Holy Cross Hospital, se recuperando de um colapso nervoso. Neste caso, Hermon fez questão de não receitar drogas ao paciente. Mais tarde, Gann e seus agentes deram uma prensa em Hermon, que foi forçado a ir embora de Austin urgentemente.

 

John David Barllet, um músico local que trabalhou com os Elevators nos últimos dias da banda e que era contratado da International Artists, se lembra dos seus encontros com membros da banda Amethyst: “Nós tivemos muitas tardes de rock and roll no apartamento apertado de Bill em Castle Hill. Havia um velho edifício com uma moldura branca de madeira que ficava em uma colina.Esse edifício foi dividido em pequenos apartamentos freqüentados pelos aventureiros da cena jovem de Austin e havia degraus na colina que conduziam ao local. Era como se fosse uma extensão do velho Texas Ghetto, freqüentado só por jovens. Minha casa em Castle Hill vivia cheia de roqueiros em jam sessions. Foi onde eu conheci Bill e Tom. Tom era um grande guitarrista. A primeira banda de Bill não chegou a chamar tanta atenção quanto o Cold Sun. Acho que os ouvi apenas uma vez. Mas, em 1969, nós estávamos nos libertando e evoluindo. Eu me lembro de uma noite. Eu estava sentado no apartamento de Billy e ele tocou uma nova canção. Sob o som da harpa elétrica, Bill gritava ‘we live beneath Spider City’ (letra de ‘South Texas’)... Tenho que sublinhar a aparência de Tom naquele dia. Sombrio e boa-pinta. E Bill estava todo de preto.”

 

Fred Mitchim, membro dessa mesma cena jovem de Austin, recorda-se do seu primeiro encontro com Miller e McGarrigle no complexo freak de Castle Hill: “Eu estava ouvindo os meus amigos falarem sobre como Bill estava aliviado em ter o seu próprio cantinho e não precisar esconder mais seu bagulho em algum jarro no quintal. Esta história foi a minha primeira impressão de Bill antes de eu encontrá-lo pela primeira vez. Assim que eu já fui chegando no pátio, eu ouvi o Cold Sun pela primeira e mais memorável vez. Eu estava pasmo com a originalidade daquelas psicodélicas e sombrias canções. E, é claro, também me assombrou a espantosa harmonia entre a harpa elétrica de Bill e a guitarra saturada de fuzz de Tom. Muito legal. Quando eles acabaram de tocar, meus amigos me apresentaram e eu me lembro de Bill como o primeiro cara completamente vestido de preto que eu já tinha visto até então naquelas localidades. Tom estava usando um casaco laranja com botões vermelhos e sandálias azuis de borracha. O cabelo dele era longo, acho que ele deveria ter pelo menos uns três pés  de comprimento de cabelos pretos.”



Escrito por William às 23h16
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Quando das apresentações do Velvet Underground no Vulcan Gas Co., Bill Miller trabalhou com outra de suas fontes de inspiração musical, o baterista dos Elevators John Ike Walton, que retornou ao Texas após uma temporada como músico de estúdio na California. Mike Waugh, baixista da Amethyst, apresentou John Ike para Miller e banda. Parecia que Walton estava prestes a se tornar membro da Amethyst, entrando, numa irônica troca, no lugar de John Kearney (ex-baterista dos Spades, antiga banda de Roky Erickson). E, assim que ele se incorporou à formação, ele desempenharia um papel importante na evolução da banda.

 

    

 

Desde os seus dias de baterista dos Elevators, Walton era amigo de Bill Josey Sr., dono da gravadora local Sonobeat, e sugeriu que Josey conversasse com Miller e desse uma conferida no som da banda Amethyst. Depois de terem vendido a estação de rádio KAZZ-FM em 1967 para se focarem na gravadora, Bill Josey Sr. e Bill Josey Jr. Lançaram excelentes compactos de vinil de 7 polegadas com artistas locais, incluindo o único registro fonográfico da legendária banda The Conqueroo, assim como o antológico compacto “A Picture Of Me”, dos Sweetarts, e outro dos Thingies (banda de Topeka, Kansas). A história da gravadora Sonobeat foi mostrada com detalhes na segunda edição da revista Not Fade Away que, estranhamente, não contêm nenhuma menção à banda Cold Sun. Além de possuir um impressionante catálogo, a Sonobeat tomava especial cuidado com os aspectos técnicos de produção, e, de fato, clama para si o mérito de ter sido a primeira gravadora a ter apresentado um “som estéreo em estado sólido” compatível com mono em seus primeiros compactos de vinil de 7 polegadas. Por volta desse tempo – 1969 – Josey estava trabalhando com uma banda local chamada Mariani, liderada pelo baterista Vince Mariani, cujos destaques eram os guitarristas Eric Johnson e Johnny Winter, cuja reputação estava se expandindo para além dos limites de Austin, num “despertar” da musicado Texas, como foi exposto em uma matéria da revista Rolling Stone.

 

Bill Miller se lembra da primeira sessão de gravação, da mesma forma como se lembra de tudo o que tinha ligação com a banda, muito claramente: “John Ike falou para Josey sobre mim e ele pediu para que Mike Waugh agendasse um encontro. Acho que a primeira vez que Josey me ouviu foi no estúdio.Mike e John Ike tinham me escutado apenas tocando sozinho, através do meu amplificador, na minha casa. Josey produziu uma longa demo – algo entre 15 e 20 canções, comigo cantando em um microfone ligado no compartimento da bateria e com a harpa plugada diretamente na mesa de gravação. Essa demo era composta supostamente por apenas uma canção. Eu gravei em apenas uma noite. Isso foi quando o estúdio de Josey localizava-se na casa dele. Durante a gravação dessa primeira demo, ele telefonou para Vince Mariani e pediu que ele viesse até o estúdio. Da cabine de gravação onde eu estava, eu o vi parado, olhando para mim e sorrindo afetadamente. Eu saí da cabine depois de ter gravado ‘Here In The Year’, seguida de ‘God Is A Girl’ e encontrei Vince que, antes de qualquer coisa, me disse: ‘Cara, você é realmente um freak’.”



Escrito por William às 23h14
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Bill Josey Sr. ficou suficientemente impressionado com as gravações de Bill Miller a ponto de oferecer uma proposta comercial para a banda, onde os músicos trabalhariam em estúdio para as gravações serem posteriormente vendidas para grandes gravadoras. A Sonobeat produziu LPs demo para Mariani e para Johnny Winter seguindo o mesmo princípio, assim como um pouco conhecido artista de orientação folk chamado Bill Wilson. Quando John Ike Walton decidiu deixar a banda, Hugh Patton foi colocado em seu lugar. E, com a formação completa, eles estavam prontos para entrar em estúdio. Entretanto, uma questão final que precisava ser resolvida era o problema do nome da banda. Eles já tinham deixado de ser Amethyst e, a propósito de um nome, Josey se referiu a els como “The Bill Miller Project” por um tempo. Foi aí que, no meio de uma sessão de gravação, surgiu o nome COLD SUN, que permaneceria pelo resto de sua carreira. Mas a banda continuou utilizando o nome “Amethyst” em algumas poucas apresentações durante esse tempo.

 

Assim como muitas coisas na história da banda, o nome “Cold Sun” é enigmático. O álbum de 1989 da Rockadelic Records que trouxe à luz pela primeira vez as gravações da Sonobeat não trazia o nome “Cold Sun”, apenas “Dark Shadows”, que também era o título de uma série de mistério muito popular na televisão nos anos 1960. Nas notas do disco, Miller nega que tenha participado de alguma banda chamada Cold Sun, e sugere que sua banda sempre se chamou “Dark Shadows”. No entanto, ele se referiu ao verdadeiro nome da banda em uma entrevista de 1976, onde ele mencionou que, antes de tocar com Roky Erickson nos Aliens, ele passou “sete anos empunhando a harpa elétrica em uma banda chamada Cold Sun”. Esse nome é derivado da lenda de MU, tornada famosa pelos escritos de James Churchward e, mais recentemente, pela grande banda de rock dos anos 1970 de mesmo nome, liderada por Merrel Frankhauser. MU e a mitologia lemuriana eram populares nos círculos do Cold Sun, embora Miller tenha dito que ele tentou arranjar um nome melhor para a banda, posteriormente.

 

 

Depois de se utilizar de um clube local para as gravações, a gravadora Sonobeat estabeleceu os seus estúdios de gravação na casa de Josey. Os primeiros ensaios do projeto Cold Sun aconteceram nesse estúdio, mas o material de fato preservado em fita foi gravado em outro estúdio da Sonobeat, num prédio localizado em North Lamar, que também abrigava a estação de rádio KOKE, de propriedade do maior magnata de Austin na oportunidade, Roy Buttler (ironicamente, a KOKE nada mais era do que a KAZZ-FM de Josey, reestruturada e rebatizada). Foi aí que todas as gravações conhecidas do Cold Sun foram feitas. Miller estima que o tempo total consumido para a finalização do projeto tenha sido de 6 meses, incluindo as demos e as sessões de gravação. Todo o material foi composto prioritariamente para o contrato com a Sonobeat, mas foi sofrendo várias mudanças e correções conforme as sessões progrediam. Tiveram ainda algumas poucas canções da primeira fita demo que foram descartadas ao longo do caminho, entre elas, “God Is A Girl”, “Graduation Day” e “Do The Ray”, todas compostas por Miller (esta última, sendo a mais “dançante” do grupo, inspirada no filme “The Man With The X-Ray Eyes”, de Roger Corman) e “Mind Aura” e “Shifters”, compostas pelo guitarrista Tom McGarrigle. Vince Mariani e Bill Josey sugeriram que Miller fizesse todos os vocais principais, o que talvez seja a razão das composições de McGarrigle não terem sido usadas. O baixista do Cold Sun, Mike Waugh, sendo velho conhecido de Josey, era ocasionalmente aproveitado como músico de estúdio da Sonobeat antes de se incorporar definitivamente à banda.



Escrito por William às 23h11
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Apesar das sessões de gravação terem sido tranqüilas e criativas, Miller se lembra que “Bill Josey não entendeu de onde nós estávamos vindo musicalmente, as nossas raízes musicais. Nós não conseguimos explicar para ele o que estava acontecendo. Então, eu tentei explicar para ele que eu e Tom éramos, simplesmente, ‘fãs de Lou Reed’. Mas ele também não entendeu isso.” Josey caprichou nos aspectos técnicos das gravações do Cold Sun e, como Miller se lembra, “Josey era um mago – talvez a coisa mais próxima de um Joe Meek que o Texas tinha. Josey inventou a Caixa Preta da Sonobeat – um misterioso dispositivo, alguma espécie de compressor. Eu me lembro que Eric Johnson gravou com a Caixa Preta, mas ele usou em menor escala. Johnson não sabia usar. Eu também não. Eu toquei muito utilizando-me da Caixa Preta, para ver se eu aprendia como manipulá-la, mas nunca gravei com ela.” A harpa elétrica acendeu o interesse de Josey pelo fato de não haver precedentes de como gravar com tal instrumento. A harpa foi ligada diretamente na mesa de gravação em muitas canções, assim como o baixo. As gravações da banda Cold Sun foram projetadas para serem feitas em som quadrifônico, um dos maiores interesses de Josey naquele momento.

 

Em adição aos arranjos musicais, as letras foram bem trabalhadas. Miller não se mostra orgulhoso delas hoje em dia, mas até que elas não fazem feio frente ao nonsense hippie desse período. Cada verso desperta na memória os tempos de como eram boas as letras de rock. A grande maioria dessas letras foi escrita por Miller, mas a inspiração veio de McGarrigle e de Winston Taylor, um amigo da banda. Outro que colaborava nas letras do Cold Sun era um dos associados da Sonobeat, Herman Nelson, um homem de meia-idade de aparência conservadora mas que, por trás dessa imagem, era um místico praticante de magia branca. Miller se lembra das fontes para as faixas do disco: “Além de Colonel Jim e Mu, outras fontes das quais surgiram as letras foram eu próprio, Tom e Winston. ‘Ra-Ma’, ‘Fall’ e ‘Twisted Flower’ tiveram muita influência de Churchward. ‘South Texas’ era um hino 100% psicodélico encharcado em peyote. ‘Here In The Year’ e ‘For Ever’ eram 100% minhas. Apenas ‘Fall’ e ‘Ra-Ma’ continham versos escritos por outras três pessoas.”



Escrito por William às 23h07
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Uma obsessão numerológica compartilhada entre Josey e os membros da banda influenciou não só as letras como as gravações do Cold Sun, conforme lembra Miller: “Josey era supersticioso. Ele acreditava que a duração total das faixas do álbum do Johnny Winter era um número de sorte. A duração do álbum do Johnny Winter era de uns 43 ou 45 minutos e sei lá quantos segundos. E você pode conferir esse álbum. Você verá que a duração é a mesma do álbum do Cold Sun, exatamente a mesma, minutos e segundos. ‘Ra-Ma’ e ‘Fall’ tiveram que ser alongadas para alcançar o tempo previsto e uma canção de Tom foi retirada por insistência dele próprio; Ele era tão supersticioso quanto Josey, e sempre estava propenso a aceitar sugestões nessa área esotérica, temeroso que era com certos números. Mas eu também era assim. Eu estava desesperado por mais letras, e temeroso de que aqueles versos fraquinhos que escrevi não fossem verossímeis, tivessem sido escritos só para rimar. Os versos que escrevi em ‘Ra-Ma’ eram bem curtinhos, então Josey teve a idéia de colocar aquelas sinetas de vento no final dessa música.”

 

Aqui estão mais alguns comentários de Miller sobre as faixas do álbum de sua banda, o Cold Sun:

 

Here In The Year:

“Com respeito à edição final, Josey disse: ‘Está tão bonito... Realmente, você não vai deixar Tom colocar barulho nisso?’. Mais tarde, sorridente, eu contei isso para Tom. Sua resposta foi: ‘bem, só lamento’. Esta canção não foi influenciada por peiote. Foi uma previsão sobre a Internet – mas com ligações para a ethernet. O verso original era ‘Here in the year 1969.’ Inacreditável, não? Bem, já era 1970, finalmente. E as dúvidas acerca das negociações de Josey com a Columbia para o lançamento do álbum motivaram a alteração da letra.”

 

Ra-Ma:

“Todo o baixo que você ouve no segmento onírico do começo é apenas o meu polegar fazendo linhas de baixo na harpa enquanto toco outras cordas com meus dedos... Será que a harmônica atrapalha? Ou será que a harmônica ajuda? Acho que ficou bem em ‘Ra-Ma’. Josey gostou da canção desse jeito. Ele sorriu. Concluí a canção na primeira tomada. Eu toquei a guitarra-base na primeira parte enquanto cantava ‘Crocodiles line the banks...’ etc. Eu compus as linhas de guitarra nessa parte e não queria que John perdesse tempo com isso. Ele estava muito ocupado com as outras partes. Mais tarde, é claro, ele aprendeu a primeira parte para as apresentações ao vivo. ‘Ra-Ma’ soa melhor ou pior, agora que você sabe que a letra é sobre Mu?”

 

Fall:

“Herman Nelson escreveu mais para Josey do que eu pude perceber. Eu até havia me esquecido de que ele havia composto a melodia e escrito a letra de ‘Re-Birthday’, da banda Mariani. Eu me lembro de dois versos que ele escreveu para a canção ‘Fall’, do Cold Sun: ‘Willow binds like steel/ from your lotus wheel’. E, de fato, esses versos foram escritos para uma outra canção. Se eu tivesse usado esses versos na canção que ele pretendia, você ouviria o seguinte: ‘You may never see what you cause/ You may never see what you cause/ Willow binds like steel/ from YOUR lotus wheel/ from YOUR lotus wheel’. Divertido, não?”

 

See What You Cause:

“Este é um tributo óbvio ao Roky Erickson, a quem eu nunca havia encontrado pessoalmente até aquele momento. Eu era até competente em compor canções para o Roky, mesmo naquele tempo. E isso veio bem a calhar quando eu fiz o arranjo de canções como ‘Bloody Hammer’, ‘Night Of The Vampire’, ‘Two Headed Dog’ e outras.”

 

South Texas:

"Inspirado em um fim-de-semana no Sul do Texas com duas garotas da cidade de Corpus Christi e uma grande tigela cheia de peiote em um drive-in de um restaurante mexicano com aquelas grandes tortilas fritas. Havia um motel repleto daquelas pequenas lagartixas na parede. E as lagartixas tinham vozes. Pelo que eu sei, o peiote gera mais alucinações auditivas do que qualquer outra droga. Às vezes, Tom McGarrigle soava como uma lagartixa com a sua guitarra.”

 



Escrito por William às 23h02
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Twisted Flower:

“O solo de baixo no comecinho é, de fato, uma harpa. A batida da bateria começa e, então chega a harpa elétrica com o toque pesado das cordas imitando o som do baixo. Então Waugh toca no que parece ser um ‘dueto de baixos’ antes da guitarra e da harpa elétrica incendiarem de vez a música.”

 

For Ever:

“Esta composição é 100% minha. Foi totalmente escrita por mim, tanto a letra quanto a música."

 

A ordem das músicas apresentada no LP lançado em 1989 pela Rockadelic Records difere marcadamente de como Miller e Josey imaginaram para o álbum, que foi produzido entre 1969 e 1970. Esta é a ordem original das canções, como ambos pretendiam:

 

1. “South Texas” (Miller)

2. “Twisted Flower” (Miller)

3. “Here In The Year” (Miller)

4. “For Ever” (Miller)

5. “See What You Cause” (Miller)

6. “Fall” (Miller, Taylor)

7. “Ra-Ma” (Miller, McGarrigle, Nelson)

 

Há opiniões favoráveis e contrárias para ambas as estruturas, mas “South Texas” poderia ter funcionado como uma introdução extremamente forte e marcante, e o álbum poderia ter encontrado um clímax perfeito com “Ra-Ma”, como tinha sido originalmente planejado.

 

 



Escrito por William às 22h59
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Quanto aos arranjos musicais feitos durante as sessões de gravação, Miller se lembra que “apenas ‘See What You Cause’ permaneceu a mesma, apesar de contar com Tom tocando baixo e o baixista tocando guitarra. Tom não tinha intenção de tocar baixo, mas isso funcionou bem nessa música. Ele e Mike estavam tranqüilos com relação a isso. ‘Fall’ tinha as mesmas passagens musicais que antes, mas com novos versos adicionados, sendo que a letra anterior havia sido descartada, exceto a parte que falava sobre Dodge, que permaneceu como na velha versão. A harmônica também foi outra novidade da ‘era Josey’. Se você olhar bem de pertinho uma certa foto do Cold Sun, você perceberá um suporte de harmônica fixado no topo da harpa elétrica. Era um suporte de harmônica com a parte do pescoço removida, que eu coloquei no lado da harpa. Eu giraria o eixo da harpa para o centro e usaria a própria harpa como suporte – enquanto tocava -, tocando ambos os instrumentos simultaneamente.

 

    

 

Os vocais no álbum do Cold Sun têm confundido os fãs por parecer apresentar dois vocalistas diferentes, alternando o vocal de um verso para outro. A verdade é que ambos os vocalistas eram Miller, que, apesar de não ser um vocalista nato, mostra uma marcante versatilidade em cada faixa – mudando de um estilo vocal sombrio influenciado por Jim Morrison para uma voz aguda e perfurante no estilo acid-punk de Roky Erickson, aparentemente sem esforço e sem revelar qual é o seu “verdadeiro” estilo. As harmonias vocais foram conduzidas por McGarrigle e Waugh, com Waugh responsável por dois versos nos vocais principais de “Twisted Flower”; Uma fonte de diversão durante as gravações, segundo Miller: “Eu realmente quis que Waugh cantasse a canção inteira, e ele também queria muito. Entretanto, ele não era tão bom quanto eu como vocalista principal nessa canção, exceto naqueles dois versos. Bill Josey disse que ‘a voz de Mike se parece com a de Jerry Lewis (o comediante), não a de Jerry LEE Lewis (o cantor)!’ Mais tarde, Josey batizou a seção intermediária da canção como ‘a parte do Jerry Lewis’. Nas sessões vocais, Josey dizia ‘OK, vamos tentar melhorar o terceiro verso da parte do Jerry Lewis’”.



Escrito por William às 22h56
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A idéia básica do projeto de estúdio da banda Cold Sun era que Josey pudesse vender as gravações finais para uma grande gravadora, sendo que a Columbia era a mais freqüentemente mencionada. O método de prensar discos demos de vinil estava saindo de moda, pois técnicas modernas de gravação em tape simplificavam o processo de fabricação de demos. O LP da banda Mariani, lançado em 1969, foi o último das demos em vinil da Sonobeat. As sessões do Cold Sun foram concluídas na Primavera de 1970 e fitas cassete em estéreo e tapes de estúdio foram usados para apresentar o material. Essa é a razão de não existir nenhum LP demo ou acetato das sessões de gravação originais. Infelizmente, as finanças da Sonobeat estavam sob pressão nessa ocasião e, portanto, Josey não estava apto para promover o Cold Sun suficientemente bem. A gravadora havia obtido um sucesso significativo com Johnny Winter, cujo LP Winter, lançado no começo de 1969 (e posteriormente relançado com o título Progressive Blues Experiment, pela United Artists) foi gravado com a Sonobeat antes de Winter ter assinado contrato com a Columbia, mas parece que Josey acabou obtendo pouco ou nenhum lucro com isso. No caso do Cold Sun, ébem possível que o todo peculiar som psicodélico da banda não fosse o que as gravadoras estivessem esperando de uma banda de Austin naquele momento. Em resumo, nenhum contrato foi assinado e a Sonobeat começou a entrar em decadência.

 

    

 

Bill Josey Sr. se manteve trabalhando com gravações de vários artistas locais em um novo estúdio fora de Austin, até adoecer em 1976 e morrer logo em seguida. Seu filho, Bill Josey Jr., que esteve envolvido com a gravadora e com estação de rádio KAZZ-FM (trabalhando como DJ sob o codinome “Rim Kelly”) mostrou algum interesse em reviver a Sonobeat nos anos 1990, mas, até agora, nenhuma notícia concreta sobre isso chegou ao conhecimento público. Bill Miller se lembra de Josey Sr. afetuosamente: “Perdi contato com Josey por volta do tempo em que comecei a trabalhar com Roky Erickson, poucos meses antes da minha banda na ocasião, o Blieb Alien, começar a fazer apresentações locais – deve ter sido por volta do finalzinho de 1974. Eu não acho que Bill Josey tenha feito muita coisa antes de contrair a sua doença fatal, mas imagino o que ele deve ter feito nesse período. As coisas estavam mudando muito rápido. Eu nunca mais vi Bill Josey. Ele era um grande cara, contribuiu muito para o cenário musical do Texas.” A história completa de Bill Josey e da gravadora  Sonobeat ainda esperam por serem contadas em detalhes.



Escrito por William às 22h41
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A saga do Cold Sun prosseguiu, entretanto. A banda continuou produzindo material próprio e se apresentando localmente. Bill Miller se lembra de várias novas canções compostas no período pós-Sonobeat, tais como “DJ’s Locker”, “The Worldwide Voice Of James” e “PayOla”. Uma gravação ao vivo desse período inclui “Out Of Phase”, “Where The Shadows Lie” e “Live Again”. Muitas dessas canções foram compostas por Miller, que continuava sendo a força diretiva da banda nesse tempo. Tom McGarrigle chegou a deixar a banda por um período, mas retornou pouco tempo depois. O baixista Mike Waugh, cuja musicalidade é tida em alta conta por Miller, foi demitido depois de outros membros terem reclamado por ele ter faltado a muitos ensaios. Depois do baixista substituto não ter funcionado, o lugar de Waugh na banda foi preenchido por Mike Ritchey. Com o regresso de McGarrigle, essa foi a formação que permaneceu pelo resto da carreira da banda. A foto da banda no palco do Palmer Auditorium (onde Bob Dylan tocou em um legendário show em 1965) mostra essa formação final.

 

Fred Mitchim relembra os shows do Cold Sun: “No palco, Bill ficava encurvado sobre a sua harpa e Tom ficava reto, tocando a sua guitarra. Minha lembrança de como eles eram percebidos pela platéia é de umas 2 ou 3 vezes que eu os vi tocar. Nos clubes, eu vi muitas pessoas esticando seus pescoços para vê-los por sobre as cabeças de outras pessoas. Naquele tempo eu estava convencido de que ninguém havia sido exposto a qualquer coisa parecida com a psicodelia assustadora de Bill. No ponto mais alto das apresentações do Cold Sun, , Bill ligava uma caixa de fuzz na harpa elétrica e tocava o instrumento com uma faca de cozinha. Como eu estava dizendo... Sobre as cabeças. Eu não me lembro de muitos shows da banda, mas parece que eles sempre trabalhavam em cima do material do álbum que eles estavam gravando. Então, se você fosse um músico local, você provavelmente não conhecia muito sobre eles e, portanto, não conhecia também suas canções.”

 

John David Barlett tem lembranças similares: “A referência ‘sobre a cabeça’ é verdadeira. As apresentações ao vivo não foram muitas, como eu me lembro. Mas as que eu presenciei, quando uma canção acabava, os músicos uivavam. Os outros músicos se pareciam com a platéia em ‘The Producers’ e no final de ‘Springtime For Hitler’”.

 

A banda nunca atingiu o sucesso em Austin. Parecia que o rock psicodélico do Cold Sun estava deslocado do que estava acontecendo musicalmente ao redor de Austin. A moda, então, era o country e o blues “de raiz”. A exposição nacional da cidade dava um crescente crédito para essa nova orientação musical. A música do Cold Sun foi construída sobre a influência direta dos 13th Floor Elevators. Mas em 1971, os Elevators estavam mortos, enterrados e esquecidos. As outras influências da banda eram urbanas e intelectuais, e inteiramente estranhas ao que estava acontecendo então. Miller relembra: “Nós tocávamos no palco uma versão ao vivo do álbum – mas melhor. Quando você ouve o álbum, o que quer que seja que faça você gostar dele, era a mesma coisa que fazia com que as pessoas dos clubes NÃO gostassem dele.” Entretanto, eles não estavam sem admiradores: Vince [Mariani] nunca perdeu um único show do Cold Sun. Nós lembramos dele como algum elemento perdido da infância – carnavais. Depois de um show, ele disse: “Caras, vocês soam como se estivessem saindo de um navio espacial.”



Escrito por William às 22h33
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A banda entrou em 1973 com Miller ocupado, aprendendo as artimanhas da indústria da música. Tom McGarrigle deixou a banda permanentemente, e Miller se deslocou brevemente para Memphis, onde trabalhou com sua rede de negócios. O Cold Sun estava arrefecendo, mas uma outra e igualmente interessante fase estava chegando. Algum tempo antes, um amigo mútuo, Winston Taylor, apresentou Miller para Roky Erickson, que havia passado 3 anos nternado no Rusk State Hospital e estava de volta a Austin. Miller se lembra de seu encontro com Roky: “Um dia eu tinha entrado na casa de Roky e ele tinha deixado um monte de velas de cera derreter no centro de um carpete felpudo, até que o carpete se tornasse o pavio da vela gigante, queimando vivamente. Roky estava sentado em uma larga cadeira, fumando um cigarro. Um homem de cabelos longos, de óculos e usando um manto branco estava aos seus pés. Roky estava descalço e o homem estava lavando os seus pés em um cilindro dourado cerimonial – presumivelmente cheio de água sagrada. O homem usava uma roupa especial e cada movimento dele parecia ser uma rotina especializada profundamente ritualística.”

 

A carreira de Roky Erickson voltou à estaca zero neste ponto. Havia uma ou outra reunião dos Elevators, mas nada mais do que isso. Roky tinha amigos que o ajudaram na época em que ele esteve internado no Rusk e depois. Entre esses amigos, estava Patrick McGarrigle, irmão mais novo do guitarrista do Cold Sun. Num esforço para revitalizar a carreira de Roky, Patrick McGarrigle pretendia formar uma banda, e chamou Bill Miller para fazer parte da formação. Patrick convocou “os dois únicos músicos de confiança do Texas”, Mike Ritchey e Hugh Patton. Assim nascia a banda BLIEB ALIEN. Como Miller costuma dizer, essa banda era, essencialmente, o Cold Sun sob um novo nome, com Roky na guitarra ao invés de Tom. Roky compôs muito enquanto esteve internado no Rusk – cerca de 200 canções – e o projeto The Blieb Alien incorporou essas músicas ao seu repertório. Apresentações ao vivo não eram prioridade, mas, assim que um show local no Ritz foi inesperadamente agendado, Miller foi convocado para se juntar à banda. Isso marcou o início de uma fase que levaria à formação da Roky Erickson & The Aliens, uma banda que dispensa apresentações. As existências tanto da Blieb Alien quanto dos Aliens foram intensas. Segundo Miller, as sagas dessas duas bandas são tão estranhas quanto a saga do Cold Sun.

 

Entretanto, esse não foi o fim. Por volta de 1973, o baixista do Cold Sun, Mike Ritchey, se apropriou das fitas master da Sonobeat e produziu um acetato a partir delas. A principal razão era que ele queria desfrutar das gravações – das quais ele não participou – ouvindo-as em um equipamento comum de alta fidelidade. Até onde se sabe, apenas um acetato foi produzido e permaneceu em posse de Ritchey. Certa vez, ele tocou o acetato para Roky Erickson escutar. Roky ficou surpreso, pois nunca havia ouvido falar do Cold Sun e tampouco conhecia as habilidades de compositor de Bill Miller. Assim que Miller confirmou, Roky desafiou o amigo:

 

ROKY: “E  agora, Bill, quem é o compositor nesta banda?”

BILL: “É você, Roky. Por que eu iria querer Bill Miller como compositor se eu tenho Roky Erickson? Você acha que eu sou burro?

 

Pouco depois disso, o acetato do Cold Sun e a própria banda desapareceram da face da Terra. A única pista deles a partir de então, foi uma breve entrevista de 1976 se referindo a Bill Miller. Depois disso, demoraria 13 anos até que alguém ouvisse falar de Cold Sun novamente.



Escrito por William às 22h17
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Em 1989, Rich Haupt e seu parceiro Mark Migliore, donos da gravadora Rockadelic, sediada em Dallas, no Texas, foram visitados por Michael Ritchey, que conhecia Migliore de longa data. Ritchey queria que eles ouvissem um material de sua “velha banda”, conforme o relato de Haupt: “Era um acetato com três ou quatro músicas de uma banda chamada Cold Sun. Nem é necessário dizer que quando nós ouvimos esse material, nós ficamos completamente pirados. Michael manteve Mark em contato com Bill Miller e ele tentou negociar um contrato para lançar o material. Depois de muitas conversas, Mark desistiu e concluiu que essas canções jamais seriam lançadas, pois Bill estava inflexível na posição de NÃO lançá-las. Perguntei para Mark se eu poderia fazer uma tentativa e, depois de muitas horas no telefone, acho que convenci Bill de que o material era simplesmente MARAVILHOSO e de que seria uma vergonha privar as pessoas de escutarem um LP com aquelas músicas. Bill finalmente concordou, mas ainda havia alguns detalhes que estavam dificultando. O maior obstáculo era com respeito ao nome da banda. Michael Ritchey, que era o responsável por manter a bola rolando (apesar dele ter entrado na banda DEPOIS das gravações) insistiu que o nome da banda era / deveria ser Cold Sun. Por outro lado, Bill insistiu que o nome da banda era Dark Shadows, que foi um nome que ele inventou anos depois da banda ter se extinguido. Eu me comprometi a imprimir ambos os nomes na capa frontal do LP. A segunda grande questão era com respeito ao conteúdo textual suplementar na capa do LP. Bill queria que as suas extensas notas fossem impressas na capa do LP, enquanto Michael queria inserções mais simples. Novamente, eu me comprometi em colocar as notas de Bill em metade da capa e as de Bill em outra metade. Não há dúvida de que esse é o melhor LP que a Rockadelic já teve o privilégio de lançar e Bill também ficou contente com o resultado final. Se dependesse de mim, eu teria prensado MUITAS cópias do álbum em LP e CD através dos anos. Mas eu tive que manter a minha palavra e prensar apenas 300 cópias, todas em vinil.”

 

Deve ser ressaltado de que o acetato não foi a fonte do LP lançado pela Rockadelic. Foram usadas cópias das fitas master originais da Sonobeat, que ainda estavam em poder de Miller. O acetato apresenta apenas dois terços do material presente no LP e encontra-se em estado precário de conservação, o que não impediu que ele atingisse o preço de 10000 dólares recentemente no mercado de colecionadores de discos raros.



Escrito por William às 22h08
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O acordo firmado entre Miller e a Rockadelic Records foi bastante curioso: “Tudo o que Rich Haupt me pagou pelo álbum foi um cartaz gigante com a fotografia de Simone Simon. Ele disse: ‘Se você me deixar lançar o disco, eu te pago. O quanto você quer?’ E eu respondi: ‘Eu gostaria que você me pagasse com um cartaz com a fotografia gigante da Simone Simon para que eu possa levantar um santuário de adoração à ela’. Rich, então, perguntou: ‘Quem é Simone Simon?’ E eu respondi: ‘Simone Simon é a estrela de 'Cat People’. Ela era diva dos filmes de Jacques Torneur, que foi o David Lynch da década de 1940. Jacques Tourneur dirigiu ‘I Walked With A Zombie.’’ Então Rich me deu um cartaz gigante com a fotografia de Simone Simon e eu entreguei a ele uma cópia em bobina das fitas master da Sonobeat.”

 

 

A arte frontal da capa foi desenhada pela Rockadelic, enquanto Miller sugeriu que se colocasse um lagarto na capa de trás. Ao lado dos textos inseridos na capa, uma foto colorida da banda no palco. O LP foi um sucesso instantâneo entre os fãs de psicodelia underground, e as 300 cópias numeradas foram vendidas rapidamente. A despeito de ter sido vastamente pirateado (com qualidade inferior de som e sem inserções textuais), o LP lançado em 1989 pela Rockadelic é item imprescindível para colecionadores. Um vinil original não é vendido por menos de 100 dólares. Mesmo com o álbum lançado, Miller continuou indiferente às suas velhas gravações, e, geralmente, não gosta de falar sobre o Cold Sun. Demoraria vários anos e muitas agulhadas de fãs ao redor do mundo para ele reconhecer que ele e seus amigos do Cold Sun tinham grande valor, apesar de não terem alcançado o sucesso em 1970, período em que a banda alcançou o seu auge. Há planos para uma edição digital do álbum, que será produzida a partir das fitas master da Sonobeat. O prometido CD trará ainda, como bônus, material gravado a partir de apresentações ao vivo da banda no começo dos anos 1970. Enquanto isso, Bill Miller – que atualmente é conhecido como Billy Angel – entrou em uma terceira ou quarta fase de sua carreira, agora como harpista da banda Blood Drained Cows, que também apresenta membros de uma legendária banda dos anos 1980, The Angry Samoans. A banda The Blood Drained Cows está freqüentemente excursionando pelos Estados Unidos com suas apresentações e, recentemente, lançou um novo CD, intitulado 13. No palco, a banda costuma tocar uma cover dos 13th Floor Elevators, fechando, assim, um círculo que começou em Austin, no Texas, em 1966.



Escrito por William às 22h03
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